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Salto, 29 de outubro de 2026

Na noite do dia 28 de outubro, a Sala Palma de Ouro recebeu a solenidade do 1º Prêmio Câmara de Mérito Cultural Saltense “Marcos Pardim”. Na ocasião, foram homenageados – com troféu e certificado – um grupo e dois profissionais com relevante contribuição à cultura do município.

Na categoria Destaque da Câmara (indicada pela Mesa Diretora do Legislativo), a premiada foi a Companhia Maria e José, que desde 1979 mantém viva em Salto a tradição da Folia de Reis. Na categoria Pontes da Cultura (indicada pelo Conselho Municipal de Políticas Culturais), o ganhador foi o produtor cultural, professor de dança e coreógrafo Odair José do Prado Vicente “Zulu”.

Já na categoria Escolha Popular, a vencedora foi a cineasta, pesquisadora e professora Lilian Solá Santiago, que recebeu 46,1% dos votos em eleição aberta ao público geral. Ela concorreu com o Dançarte – Festival de Danças, evento que acontece na cidade desde 1997, e com o artista visual, produtor cultural e pesquisador Edson Ferreira Alexandrino Junior.

 

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Comitê – O Comitê Gestor da edição inaugural do prêmio foi formado pelos vereadores Michel Oliveira Rodrigues da Silva “Chell” (presidente), Edemilson Pereira dos Santos (membro) e Rogério dos Santos Filho “Dr. Rogério Pinheiro” (membro), que fizeram uso da palavra durante a cerimônia.

O Comitê também prestou homenagem à Comissão de Avaliação do Prêmio, composta por Mércia Falcini, Mirna Bicalho e José Roberto Benedito. Essa Comissão foi responsável por selecionar, entre os inscritos na categoria Escolha Popular, os três finalistas que seguiram para a fase de votação.

 

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Pardim – Durante a solenidade, a viúva (Hellen Conral) e a filha (Luiza Chamon Pardim) de Marcos Pardim (1963-2025) receberam uma homenagem do Comitê Gestor e fizeram um breve agradecimento. Pardim foi produtor cultural, gestor público, ativista e escritor. Entre 2013 e 2016, atuou como secretário de Cultura de Salto. Também foi secretário de Cultura em Araçoiaba da Serra e diretor de Cultura em Campo Limpo Paulista. Seu nome foi atribuído ao Prêmio pelo Decreto Legislativo nº 15/2025.

 

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Apresentações – Os premiados Odair Prado “Zulu” e Companhia Maria e José também foram responsáveis pelas apresentações artísticas da solenidade. O grupo de Folia de Reis apresentou seus tradicionais versos, enquanto Zulu reuniu alunos de diferentes projetos em que atua para performar a coreografia “Geração – do Afro ao Flashback, do Black Charme ao Street Dance (Hip-Hop)”.

 

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Logotipo – Durante a cerimônia, o designer e diretor de arte João Ares recebeu agradecimento especial pela criação, de forma gratuita, do logotipo do Prêmio Câmara de Mérito Cultural Saltense “Marcos Pardim“. Para realizar a arte, Ares se inspirou na pintura de mãos, um dos símbolos mais antigos da cultura humana.

 

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Autoridades – Fizeram uso da palavra durante a cerimônia a presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, Thaís Carolina da Silva; o subsecretário de Governo, Raisuli Hudson, que representou o Executivo; e o presidente da Câmara de Salto, Clayton Aparecido dos Santos “Clayton Bispo”.

Também compareceram à solenidade os vereadores Almir de Melo Santos “Almir da Adega”, Antônio Moreira Sobrinho, Arildo Guadagnini, Edemilson Pereira dos Santos, Edival Pereira Rosa “Preto”, Graziela Costa Leite “Dra. Grazi”, Henrique Balseiros Chamosa Neto, Luzia de Fátima Izidório Vidal, Michel Oliveira Rodrigues da Silva “Chell” e Rogério dos Santos Filho “Dr. Rogério Pinheiro”.

 

Conheça os vencedores do 1º Prêmio Câmara de Mérito Cultural Saltense “Marcos Pardim”:

 

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Companhia Maria e José – Folia de Reis (categoria Destaque da Câmara):

Fundado em 1979, no bairro Jardim Maria José, o grupo preserva a tradição da Folia de Reis, que foi trazida ao Brasil pelos portugueses durante o período colonial.

As saídas da Companhia Maria e José costumam acontecer a partir do mês de novembro, com forte tradição nos bairros Jardim das Nações, Santa Cruz, Santa Lúcia, Salto de São José, Jardim Maria José, Jardim União, Jardim São Judas Tadeu e São Gabriel.

Todos os presentes e recursos arrecadados ao longo das atividades são revertidos para a comunidade através da realização de um grande almoço, que pode ocorrer no próprio Dia de Reis ou em outra data até 20 de janeiro.

A Companhia Maria e José é o maior expoente, em Salto, de uma tradição que luta para permanecer viva em diferentes lugares do Brasil, sobretudo em cidades do interior.

 

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Odair José do Prado Vicente “Zulu” (categoria Pontes da Cultura):

Nasceu em Cachoeira Paulista e veio para Salto em 2008. É diretor artístico, professor de dança, palestrante, produtor cultural e coreógrafo, com projetos voltados à formação artística, à valorização da cultura hip-hop e ao fortalecimento da identidade afro-brasileira.

É um dos fundadores do coletivo Sarau Café com Preto, pelo qual lidera oficinas de Street Dance na Casa da Memória Negra de Salto. Também fundou a Companhia de Danças Urbanas BSTS. Ministra aulas de danças urbanas, Flashback e Black Charme em diversos projetos, entre eles: o Grupo Renascer, a Associação dos Amigos do Bairro Jardim Celani, o Centro de Convivência do Idoso, os CRAS do Jardim Saltense e do Jardim Santa Cruz e o grupo Evolution Flashback.

Apresenta o podcast Nossa Voz, organiza a Semana do Hip-Hop em Salto e é conselheiro de Cultura e Delegado Municipal da Cultura de Salto, tendo papel importante na luta por políticas públicas democráticas para o setor cultural.

 

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Lilian Solá Santiago (categoria Escolha Popular):

Nasceu em São Paulo e veio para Salto em 2010. É cineasta, artista-pesquisadora e educadora. Com “Família Alcântara” (2006, em codireção com Daniel Santiago), tornou-se a primeira mulher negra a lançar um documentário comercialmente nos cinemas brasileiros. No mesmo ano, venceu o Prêmio Zumbi dos Palmares (Alesp).

Também dirigiu os filmes “Eu Tenho a Palavra”, de 2010, e “Balé de Pé no Chão – A Dança Afro de Mercedes Baptista”, de 2005. Este último, codirigido por Marianna Monteiro, tornou-se obra obrigatória no vestibular seriado da Universidade Federal de Minas Gerais a partir de 2026.

Em Salto, atuou como professora de cinema do Ceunsp de 2010 a 2022, sendo também coordenadora do curso entre 2020 e 2022. Na faculdade, orientou mais de 100 curtas-metragens de alunos. E, em 2016, transferiu sua produtora, a Terra Firme Digital, para o município, ampliando as condições de produção audiovisual na cidade.

Também é criadora do Curta Salto – Festival do Primeiro Filme, que já teve dez edições, e da Casa da Memória Negra de Salto, localizada dentro do Museu da Cidade. Desde 2019, o espaço se mantém ativo por meio do Sarau Café com Pretos. Em 2025, Lilian defendeu na Universidade de São Paulo sua tese de doutorado sobre a Casa da Memória Negra.